terça-feira, 2 de abril de 2013

As Teias das Parcerias Público-Privadas (Parte II)

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS COM PARCEIROS PRIVADOS 100% NÃO PÚBLICOS (Parte I)

 

Nesta investigação, das oitenta e três Parcerias Público-Privadas que estão publicados na Direcção Geral de Tesouro e Finanças, detectamos que existe algumas que não têm qualquer ligação directa ou indirecta do Estado. O que queremos dizer com isto, que o parceiro privado, que à partida seria uma empresa privada, têm na sua estrutura accionista empresas que sejam de capitais públicos (ou seja uma Entidade Pública Empresarial).

Na primeira Parceria Público-Privada que detectamos que estejam nesta parte do artigo que publicamos, encontramos uma sociedade que está a gerir a concessão de gestão do Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul, trata-se de um centro hospitalar de reabilitação como o Centro de Alcoitão. Mas o que deixa qualquer leitor fora do sério é o parceiro privado em causa, chama-se GP Saúde que têm na sua estrutura accionista a famosa Sociedade Galilei SGPS. Permitem-me que vos recorde quem era a Sociedade Galilei SGPS… Era a antiga Sociedade Lusa de Negócios, a ex-Dona do Banco Português de Negócios que deixou uma avultada dívida ao Estado com a Nacionalização e posterior Reprivatização de Sete Mil Milhões de Euros (7 000 000,00 Euros) aos contribuintes.

Além da dívida, esta mesma sociedade Galilei recebe Três Milhões de Euros (3 000 000,00 Euros) sobre esta concessão até Junho 2014 (precisamente no final do cumprimento do Memorandum da Troika), que totaliza um valor de Dez Mil Milhões de Euros (10 000 000,00 Euros) montante que é incomportável para o cidadão comum. Mas o mais interessante não é só o montante que se paga por esta concessão, são os administradores desta concessão.

António Monteiro de Lemos é administrador da Galilei e já desempenhou funções de liderança na TAP e na RTP e pelo que percebemos têm um cadastro limpo mas não são os casos de Eduardo Nuno Moniz e de Pedro de Albuquerque Mateus… Estes dois Administradores da GP Saúde têm cadastros muito negros enquanto administradores. Pedro de Albuquerque Mateus foi Administrador da Parque Expo e já foi Administrador da GP Saúde de Cascais que foi dada como insolvente pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, em 5 de Janeiro de 2012 (há cerca de um ano) por dívidas. Eduardo Nuno Moniz também foi Administrador da GP Saúde de Coimbra que foi dada como insolvente pelo Tribunal de Coimbra, em 28 de Setembro de 2009, por também dívidas. Todas estas insolvências destas mesmas sociedades estão publicadas em Diário da República, como é procedimento perante o Código Administrativo na parte das Insolvências.

A segunda Parceria Público-Privada que detectamos na lista é a Sociedade Escala Braga. Para quem não sabe, é a concessão da gestão do Hospital de Braga e detectamos que esta mesma sociedade é detida pelo Espírito Santo Saúde, que é propriedade do Banco Espírito Santo (da Família do Espírito Santo em associação com o Crédit Agricole e o Banco Bradesco, do Brasil). Mas além desta concessão, reparamos que o Espírito Santo Saúde têm mais Parcerias Público-Privadas tais como a Sociedade Gestora do Hospital de Loures (Hospital Beatriz Ângelo) e Escala Vila Franca (Hospital de Vila Franca de Xira). Estas concessões de exploração e construção da Espírito Santo Saúde vão até 2040 (que é o fim da concessão da construção do Hospital de Vila Franca de Xira, que neste caso será a amortização do valor da construção tendo em conta que o Hospital já está aberto ao público) e no total o Grupo Banco Espírito Santo Saúde, recebe do Estado, de Trezentos, Vinte e Cinco Milhões, Novecentos, Vinte e Quatro Mil Euros (325 924 000,00 Euros) das seis Parcerias Público-Privadas que estão listadas na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.

Mas do Grupo Banco Espírito Santo, ao qual o Espírito Santo Saúde está integrado, não fica por aqui… mais à frente contar-vos-ei…

O seguinte da lista de Parcerias Público-Privadas que detectamos, encontramos a famosa concessão para a exploração do serviço de transporte suburbano de passageiros no Eixo Ferroviário Norte-Sul, que é como quem diz, é a famosa linha ferroviária da Ponte 25 de Abril que é explorada, como todos nós sabemos, pela empresa Fertagus. Mas o que o comum leitor desconhece é quem são os accionistas da Fertagus… Mas a resposta é Grupo Barraqueiro.

O Grupo Barraqueiro é um dos responsáveis pela maior frota de autocarros de passageiros suburbanos e interurbanos da Região de Lisboa.

Ao verificamos a estrutura accionista do Grupo Barraqueiro, onde se encontra a Fertagus, encontramos duas empresas que pertencem à Sociedade Joaquim Jerónimo – Transporte Ferroviário de forma directa e indirecta, através da empresa CGDP, S.A. que pertence ao Grupo Barraqueiro. Mas ao longo da hierarquia das sociedades, verificamos que a Sociedade Joaquim Jerónimo – Transporte Ferroviário é detida a 100% pela empresa Rodoviária de Lisboa, S.A.

A Rodoviária de Lisboa é uma das empresas que foi Nacionalizada em 1975, logo após o 25 de Abril de 1974, a antiga Rodoviária Nacional, EP, e por sua vez Privatizada em 1991 terminando a designação de Rodoviária Nacional por várias empresas Rodoviárias. A Rodoviária de Lisboa faz a exploração do serviço suburbano dos Concelhos de Lisboa, Odivelas e Loures.

Mas a teia do Grupo Barraqueiro não fica só por aqui…

A mesma Rodoviária de Lisboa é detida pela empresa Barraqueiro Transportes que é proprietário de várias sociedades conhecidas por vários utilizadores de serviço de passageiros do país. Tais como a Rodoviária Tejo, Rodoviária do Alentejo, a EVA Transportes, a RENEX, a Isidoro Duarte, a Rede Nacional de Expressos, a Frota Azul e também a segunda Parceria Público-Privada que detectamos, o Metro Transportes do Sul, S.A. (que é detida em 34% das acções) que faz a exploração da concessão do Metropolitano Ligeiro de Superfície da Margem Sul do Tejo.

Com esta teia, só da concessão da Fertagus, têm um encargo para o Estado de Mil, Duzentos e Quarenta e Cinco Milhões e Seiscentos Mil Euros (1 245 600 000,00 Euros) para exploração durante 20 anos e que foi celebrado o contracto no Governo de António Guterres, portanto desde 1999 até 2019. Este mesmo montante, vai directamente para o Grupo Barraqueiro sem que seja distribuído pelos seus outros accionistas que possam estar envolvidos. E da concessão do Metro Sul do Tejo, recebe Noventa e Um Milhões, Trezentos e Cinquenta e Oito Mil Euros (91 358 000,00 Euros) dos Duzentos, Sessenta e Oito Milhões e Setecentos Mil Euros (268 700 000,00 Euros) que são distribuídos pelos restantes accionistas (a Siemens Portuguesa e Alemã, Ascendi Group [Mota-Engil e Grupo Espírito Santo], Ensulmeci, Teixeira Duarte e Sopol) que mais à frente desenvolverei mais sobre os restantes accionistas da Sociedade Metro Transporte do Sul, S.A.
 
Na próxima Quinta-Feira, iremos continuar a desenvolver sobre subtema das Parcerias Público-Privadas que estão na alçada, a 100%, das empresas privadas.

domingo, 31 de março de 2013

As Teias das Parcerias Público-Privadas (Parte I)

Antes de iniciar este artigo, quero apresentar uma nota prévia editorial.

Tendo em conta a enorme complexidade sobre este tema, decidimos que este artigo fosse escrito em várias partes e sobretudo poder ser um artigo que pode ajudar a esclarecer os portugueses a polémica das Parcerias Público-Privadas.

Descobrimos casos insólitos, ramificações que o comum cidadão não entende e o muito dinheiro que sai dos cofres do Estado para pagar entidades terceiras que pode ter dois caminhos: Pagar a empresas que têm instituições bancárias na sua retaguarda; Ou voltar novamente para os cofres do Estado mas com montantes reduzidos. Mas antes de começarmos a contar algumas das histórias de todas as parcerias público-privadas, vamos explicar o que são estas parcerias público-privadas.

 

O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM AS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

 

As parcerias público-privadas (PPPs) é um modelo de investimento para a execução de um equipamento de interesse público em que é envolvido com entidades privadas, de preferência empresas privadas, para construir e explorar. É como se fosse uma empresa que têm como accionistas o Estado Português e a Empresa Privada que esteja segmentada para o Equipamento.

As PPPs são constituídas com o objectivo de permitir com que os parceiros privados sejam responsáveis pela obra pública e assumir todas as responsabilidades nas contratações de colaboradores para executar esse mesmo equipamento. Como o Estado não têm condições para executar, pede a um privado para fazer por ele e paga a esse mesmo privado.

Tomemos como exemplo um Hospital. Este equipamento social público o Estado não têm condições para o executar e pede a um privado que faça esse mesmo hospital. Além de construir também têm de o explorar por um prazo de tempo, em anos.

Este tipo de investimento público implica riscos partilhados, no caso dessa mesma parceria não atingir os objectivos que são acordados num contracto, pode ser imputadas responsabilidades ao Estado e devolver montantes como forma de penalização. Estes mesmos contractos são como se fosse um período de fidelização para que esse equipamento possa ser construído e explorado pelas empresas privadas.

Este mesmo tipo de parcerias implica ter um acompanhamento por entidades públicas ao qual estas concessões são atribuídas. Qualquer irregularidade que a empresa privada comete, a mesma entidade que faz o acompanhamento comunica com o Ministro das Finanças, ou com o Ministério da tutela da concessão, para tomar as diligências e fazer cumprir o que está previsto no contracto acordado entre o Estado e o Parceiro Privado.

No final desses mesmos contractos de concessão, pode acontecer dois cenários possíveis: ou o Estado recupera esse mesmo equipamento e passa a ser o total detentor; ou faz uma renovação da parceria para continuar a explorar. Tomemos como exemplo o Hospital Amadora-Sintra (Fernando da Fonseca). O Grupo José Mello, através a sua empresa José Mello Saúde, fez uma parceria público-privada para a construção e exploração do Hospital. Construiu-se, inaugurou-se e explorou. Até que houve um período na história da exploração do Hospital, o Estado não viu satisfeito pela forma como foi gerido o Hospital e fez caducar a parceria. Com a saída da empresa José Mello Saúde, o Hospital Fernando da Fonseca se tornou uma Entidade Pública Empresarial (EPE) e o Estado passou a ser proprietário do Hospital e faz a exploração do Hospital através do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
 
Na próxima Terça-Feira, iremos apresentar na segunda parte deste artigo, as Parcerias Público-Privadas que estão na alçada, a 100%, das empresas privadas.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Chegou o abismo! A Panela de Pressão rebentou.

«Com 223 mil milhões de Euros de dívida, 1,5 milhões de pessoas sem trabalho, milhares de empresas a fecharem portas: acha que estamos no caminho da Consolidação, Crescimento e Coesão?» - Miguel Couto, 21 de Fevereiro de 2013, Hotel Sana, Lisboa.


A Comunicação Social deu muita relevância a esta minha questão a ponto de colocarem a minha pessoa como o militante do PSD mais crítico contra o Ministro das Finanças. Quando essa notícia veio ao público, tenho recebido as mais diversas mensagens de louvor de simples cidadãos e de bastantes militantes do PSD (partido de que eu milito há cerca de 8 anos e não escondo essa minha militância) que já se demarcaram deste Governo e desta liderança de um senhor que se diz Coelho e que anda num Relvado verdejante, quando o mesmo relvado é cinzento, atrás de uma Rabaça. (para não dizer que estou a falar de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Vítor Louçã Rabaça Gaspar)
 
Passos Coelho prometeu que ia além do Memorandum da Troika… Olhem no que deu…
 
A Dívida Pública vai continuar a aumentar porque não estão a ser feitos cortes em duas áreas que têm sido intocáveis: As pensões de luxo e nas Parcerias Público Privadas. Já que queremos ter como referência os sistemas de protecção social dos países da Europa do Norte, porque não criamos um tecto máximo de atribuição de reformas? Só para pessoas como o Senhor Presidente da República poder viver com 10 mil Euros por mês (refiro que é o valor total de várias reformas quando a maioria dos cidadãos só têm acesso a uma e acaba por ser uma ‘merreca’, como dizem os brasileiros) e que tenham a ‘lata’ de dizer que não sabem como há-de gastar o dinheiro que recebe para manter a sua condição social que demonstra?...
 
Recordo uma medida que Pedro Passos Coelho apresentou em 2010 e que foi sufragada, «promoção da poupança e redução do endividamento». Cortar em 30 mil milhões de Euros em parcerias público privadas não podiam ser uma solução viável?... Então porque não corta?... Estamos a tocar em pessoas intocáveis?... Acredito que sim! Mas é inevitável ter que ser feito! Estas parcerias público privadas são a maior ruina do nosso país. Concessões que duram até 2083 (portanto quanto eu já fizer o meu primeiro centenário natalício, se é que vou lá chegar com este estado de coisas…) não podiam ser cortadas?... Pois é… Mas muito em breve, caros leitores, eu farei uma enorme revelação sobre estas ‘teias das parcerias público privadas’, mas enquanto não tiver o artigo todo completo, podem ficar com água na boca de curiosidade…
 
Com a redução tanto das exportações e das importações, redução do Produto Interno Bruto e maior contracção do consumo público e privado é claro que se onera mais o Estado com mais despesa com prestações sociais! O desemprego real está em 1 501 mil pessoas sem trabalho, dados do INE do 4º trimestre de 2012, que são precisamente 27,5% da população portuguesa. Agora o Governo anuncia taxas de desemprego de 18,2% para 2013 e 18,5% para 2014, segundo fonte do Ministério das Finanças após a 7ª avaliação da Troika, que é a mesma coisa que dizer que o desemprego pode ir até aos 19%, 21% e 22%! Na realidade, não são estas percentagens porque não estão a contabilizar alguns cidadãos que nunca são considerados desempregados, no entendimento de alguns especialistas do Eurostat e do INE, mas sim entre os 29,6% e os 35,8% que é nada mais nada menos que cerca de 2 Milhões de Pessoas sem Trabalho! Que curiosamente, é o mesmo número de pobres que várias instituições de solidariedade têm decretado publicamente nos últimos anos.
 
Eu pergunto, onde andou com a cabeça o Sr. Vítor Louçã Rabaça Gaspar quando anuncia estas medidas a militantes do PSD e aos portugueses?... Onde andou com a cabeça do Sr. Pedro Passos Coelho quando diz aos portugueses ‘que estamos num bom caminho’?... Andaram a pensar qual a melhor forma de roubar aos contribuintes com medidas que não estão a resolver os problemas imediatos do país que são a redução da dívida, aumento da produtividade (e não da competitividade porque isso foi uma fantasia que os economistas inventaram como forma de iludir), redução dos números do desemprego e por sua vez da pobreza.
 
Este Governo falhou. Este Governo está a ter o mesmo registo e tiques que o anterior Governo quando apresentou sucessivos PECs (para recordar o acrónimo, Planos de Estabilização e Crescimento) e com obras megalómanas que o mesmo PSD, que hoje é Governo e que no passado foi oposição, recusou liminarmente nessa solução. Que venha um Governo de Salvação Nacional vindo da Sociedade Civil que vai ter a coragem de cortar no que é supérfluo e gastar no que é necessário.
 
A Panela de Pressão já rebentou mas, na óptica deste Governo, pensa que ainda não rebentou.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eu sei o que prometeste nas últimas eleições…


Há quase 2 anos que o PSD de Pedro Passos Coelho venceu as eleições, metade do mandato, muita coisa que os militantes apoiantes deste Governo, que agora já são poucos, já se esqueceram do que pediram aos portugueses. Mas vou vos recordar todas as medidas e enquadrar no actual contexto.

 

PILAR CÍVICO E INSTITUCIONAL

1. Sistema Político

«Em primeiro lugar, a reforma da lei eleitoral para a Assembleia da República.»

Em dois anos de mandato, não se vislumbrou qualquer reforma na lei eleitoral que elege os nossos deputados da Assembleia da República. Cada vez que um cidadão elege um deputado, o mesmo é obrigado a seguir as orientações do seu partido e não da vontade e confiança expressa no voto dos cidadãos. Os mesmos quando votam escolhem figuras de destaque, e agora questiono o meu caro leitor: Se votou, conhece o seu representante na Assembleia da República? Sabe os nomes dos cerca de 230 deputados? Certamente que a sua resposta vai ser: Não! Logo a ligação entre eleitores e eleitos fica totalmente vedada porque se um eleitor decide que o seu representante deve votar contra uma proposta de Lei, um Orçamento ou até mesmo uma iniciativa pública de cidadãos, é impedida por disciplina de voto partidário.

«A redução, para 181, do número de deputados da Assembleia da República (…) Dar execução à revisão constitucional de 1997 (…) Tornar o Parlamento mais operacional e eficaz (…)»

Neste ponto, a Constituição diz, conforme no Artigo 148.º, que «a Assembleia da República tem o mínimo de cento e oitenta e o máximo de duzentos e trinta Deputados». Ora se a Lei eleitoral estabelece um valor mínimo e um valor máximo porque não foi aplicado uma revisão à Lei eleitoral obrigando que o próximo acto eleitoral seja com 180 deputados?... Logo o Governo falha neste ponto porque se a Constituição permite ter um valor mínimo, logo esta medida não pode ser aplicada a menos que, numa conferência de líderes ou até mesmo em negociação entre todas as forças representadas aceitassem acordar uma de duas opções: Ou na próxima sessão legislativa já será composta de 180 deputados; Ou no próximo acto eleitoral legislativo, só são elegíveis 180 deputados. É uma negociação difícil mas os portugueses exigem esta mesma redução como forma de penalização do poder político que nunca responde às necessidades do Estado Soberano.

«A reforma da lei eleitoral autárquica (…), Consagrar o princípio da homogeneidade e transparência do governo local. (…) Simplificar o processo eleitoral (…), Consagrar o princípio de maior eficácia e responsabilização na governação (…), Diminuir o número de membros das Assembleias Municipais (…)»

Neste ponto, o Governo novamente falha e está a ser responsável pela violação da Lei de Limitação de Mandatos. O processo eleitoral está a ser feito de forma irresponsável e não se têm em conta à respectiva proporcionalidade entre o número de eleitores, que actualmente passa a ser o número de cidadãos com mais de 18 anos residentes na sua freguesia/concelho. Se existe um número mínimo e máximo para deputados da Assembleia da República, não existe nenhuma legislação (até que alguém me apresente essa mesma Lei) que nos indique qual é a fórmula de cálculo do número de deputados da Assembleia Municipal.

Relativamente à responsabilização na governação das autarquias, os Tribunais deveriam de analisar as candidaturas considerando o seu passado responsável na gestão da autarquia, não faz sentido que um candidato a um concelho tenha feito gestão danosa em prejuízo ao município não seja vetada a sua candidatura. A gestão de um concelho/freguesia deveria de ser confiada aos residentes e não a figuras ‘salta-pocinhas’ que não conhecem nem o território nem os munícipes/fregueses.

«Extinguir os Governos Civis»

Esta medida foi realizada mas continuamos a ter subcarga de responsabilidades a vários organismos do Estado. Os Governos Civis nunca tiveram nenhuma função a não ser emitir passaportes e coordenar as operações de Protecção Civil. Em termos financeiros, o fim dos Governos Civis permitiu poupanças em funcionários e Governadores mas o património imobiliário ficou a cargo ou da Polícia de Segurança Pública ou foi abandonado sem que possa ser usado como local de cerimónia local.

«Consolidação e aprofundamento do Modelo de Autonomia das Regiões Autónomas (Açores e Madeira)»

Nesta matéria, o Governo em vez de aprofundar relações fez afastar estas mesmas relações. Estas duas regiões autónomas têm sido esbanjador de dinheiros públicos que, podem ter sido bem ou mal aplicados, mas que foram usados de forma abusiva e que, na maioria dos casos, não trouxe retorno. O ideal seria repensar o modelo de autonomia regional e olhar para os Açores e para a Madeira como parte do território nacional.

 

2. Descentralização Administrativa

«O PSD irá propor uma nova agenda para a descentralização administrativa: (…) Regionalização (…), Aprofundamento do Municipalismo (…), Transferências de novas competências para os municípios (…) nas áreas: Educação, Saúde, Acção Social, Simplificação dos procedimentos administrativos e de planeamento nas relações entre a Administração Central e a Administração Local (…) Promover a aprovação de uma nova lei das finanças locais (…), A reforma da organização intermunicipal (…), Modelos de legitimidade e governação (…), Competências e Atribuições (…), Modelo de financiamento (…)»

Esta descentralização não resolve em nada no dia-a-dia na administração política local. A proposta da regionalização sempre foi criticada pelo PSD durante os Governos de António Guterres (PS) que queria aplicar um modelo de Governação idêntica aos Governos Autonómicos de Espanha. Num país tão pequeno, não é possível fazer 5 ‘regiões autónomas’ no nosso país! Se há pouco, olhamos com bons olhos o fim dos Governos Civis, eu agora questiono: Porquê fazermos a divisão do país em regiões se os Governos Civis podiam ter mais poderes aos que querem conferir às regiões? Visto desta forma, a extinção dos Governos Civis foi um erro político para poupar dinheiro que no fim vai ter que gastar se formos pela política de regiões autónomas!

A transferência de competências às autarquias tem sido a maior trapalhada porque não existe sintonia entre poder Central e poder Local sobre as matérias de educação, saúde e acção social porque as câmaras não têm poderes para fazer o recrutamento de professores para as escolas públicas dos seus concelhos. Tal como não têm poderes para colocar médicos nos centros de saúde dos seus concelhos. Mas muitos dos problemas que as câmaras enfrentam, são problemas de tesouraria e de falta de capacidade de resposta para as necessidades que os seus concelhos necessitam. Se num determinado concelho, queira ter um novo centro de saúde, precisa de estar vários anos para autorizar a construção e ser atribuído um montante para financiar a mesma. Logo o modelo de financiamento e a organização peca por indefinição do conceito de Poder Local.

 

3. Justiça

«Contribuir para melhorar a qualidade do Estado de Direito (…), Assegurar o acesso à Justiça e ao Direito e a tutela judicial efectiva dos interesses legítimos dos cidadãos (…), regime das custas judiciais (…), Contribuir para o reforço da cidadania (…), Assegurar a independência judicial e a autonomia do Ministério Público (…)»

Nesta matéria, este Governo não fez nada! Já tenho dito que a Justiça é uma das áreas com intervenção urgente que deve estar em sintonia com as Finanças e a Economia. Se formos analisar, muitos dos processos nos tribunais estão parados por falta de dinheiro para investigar e a economia trava o seu desenvolvimento por causa de processos que deveriam ter maior eficácia para a sustentabilidade das empresas e dos particulares. Já repararam quanto tempo uma empresa resolve um problema? 14 anos é muito tempo! Afasta os investidores por causa desta morosidade da justiça que protege quem comete o crime e a vítima nunca será salvaguarda porque as Leis protegem mais os infratores e não os cumpridores.

O acesso à justiça cada vez mais está a tornar-se mais difícil para o cidadão comum que quer que se faça justiça. Com esta morosidade, é evidente que o cidadão se afasta e faz a justiça pelas suas próprias mãos. O Governo em vez de preocupar-se em fazer a reforma da justiça fechando tribunais e reduzir o número de pessoas a trabalhar nos tribunais, podia preocupar-se em travar a corrupção e agir com eficácia todos os casos de enriquecimento ilícito, que têm sido o porta-estandarte de luta da Paula Teixeira da Cruz.

Agora questiono: Quando é que vamos ter uma justiça mais acessível a todos, justa para os cidadãos e penalizador aos infractores?... Espero que alguém tenha o bom senso de me responder.

 

4. Combate à corrupção e à informalidade

«O PSD desenvolverá os seguintes eixos de acção: Racionalizar a regulamentação fiscal (…), Aperfeiçoar auditorias às empresas (…), Reforçar as sanções (…), Reforçar a capacidade do Estado para controlar a evasão fiscal (…), Assegurar que as regras existentes não discriminam os agentes económicos, de modo a promover tanto a eficiência como a justiça nas relações económicas; Assegurar que o Estado – o maior agente comprador e vendedor no mercado – respeita e promove as regras transparentes e não discriminatórias de mercado (…), compromete-se a reforçar a capacidade do Estado para fazer cumprir as regras estabelecidas, de forma a penalizar de forma substantiva e célere os agentes incumpridores (…)»

Como disse há pouco, como podemos acreditar na justiça se a corrupção vai manter no Estado sem que se responsabilize, em primeiro que tudo, quem ocupa funções públicas? Os bons exemplos não partem de cima?... Tentam combater mas afinal são os mesmos a cometer o mesmo delito.

 

5. Regulação

Nesta matéria o PSD não apresenta nenhuma proposta concreta e palpável em matéria de regulação. O Estado não tem regulado nada em vários sectores económicos e sociais. Todas as entidades públicas de regulação sempre andaram a fazer o papel de figuras invisíveis que demonstra uma total incapacidade de resolver problemas, como por exemplo o preço final dos combustíveis, a livre concorrência, maior transparência no sector das comunicações electrónicas e média. Vejam o processo sobre a Introdução da Televisão Digital Terrestre… Regulador e regulado assumem que está tudo bem quando no terreno está tudo mal e os cidadãos têm denunciado várias vezes e o Governo nunca quis ouvir nem encontrar uma solução.

 

6. Segurança Nacional

A segurança nacional sempre esteve em perigo. O passado do nosso país têm permitido abusos nas escutas e no uso dos serviços de informação da República para fins que nunca foram para a segurança dos cidadãos mas sim para a segurança dos Governantes que têm sido responsáveis pela desordem que foi criando.

Os cidadãos não se sentem seguros e num período como este, com níveis de desemprego elevados, constantes roubos a caixas multibanco e entre outros mais crimes, com a falta de policiamento e menos investigação faz com que as pessoas vivem com sentimento de medo e de casos de injustiça onde libertam os criminosos para reincidir nos mesmos crimes ou cometer outros crimes.

Neste ponto, o Governo nada fez e continua a retirar poderes aos polícias para cumprir a lei e a ordem.

 

 

PILAR ECONÓMICO-FINANCEIRO

1. Programa de Ajustamento Macroeconómico

1.1. Consolidação Orçamental duradoura e de qualidade

Falam tanto nos fracassos da gestão Governativa Socialista de José Sócrates mas esquecem-se de que as contas públicas sempre foram sujeitas a orçamentos rectificativos, que por vezes chegam a ser duas e três vezes ao ano. Se um Governo que nunca consegue cumprir as metas do orçamento, então porque recusou o PEC IV e acusa o Governo Socialista por aumentar a dívida? Não há responsabilidades no PSD, no passado?... Então quem disse que ‘Portugal está de tanga’?... (um pequeno à parte, o Governo deve andar a comer muito queijo…)

Recordo que a dívida pública se encontra já nos 223 Mil Milhões, contra os 160 Mil Milhões de Euros quando José Sócrates abandonou o Governo e onde a Troika se baseou para fazer o programa de ajustamento.

 

1.2. Sustentabilidade das Finanças Públicas

Nesta questão, o Governo não têm feito nada! Passou a vida a aumentar impostos e não mexer no caso Parcerias Público-Privadas e nas Concessões atribuídas a empresas privadas que continuam a alimentar cerca de 30 Mil Milhões de Euros. Ninguém resolve este problema porque tanto o PS como o PSD têm muitos interesses, em que os gestores são militantes dos dois partidos, que inviabiliza a cessação de várias Parcerias Público-Privadas invocando interesse público para ser alienar esses mesmos equipamentos. (estamos a falar de construção e exploração de novos equipamentos de saúde, auto-estradas e barragens)

 

1.3. Promoção da Poupança e Redução do Endividamento

Neste tema, como tenho dito várias vezes nos temas anteriores a dívida nunca foi reduzida conforme foi promessa do PSD de Passos Coelho. Como disse no ponto 1.1., a dívida em quase dois anos aumentou em 63 Mil Milhões de Euros e o Governo continua a preparar-se para voltar novamente aos mercados, com o patrocínio do Banco Central Europeu de forma cirúrgica, voltando a endividar. Pelo que desta forma, não está a ser cumprida a redução sustentava e progressiva da dívida pública e do défice externo, bem como não está a ser colocado em prática o Plano Nacional de Poupança junto das empresas e entidades públicas (vide a recente notícia no Jornal i, de 18 de Fevereiro de 2013, que diz que as Empresas Públicas podem endividar-se mais do que está orçamentado).

Relativamente às dependências energéticas e alimentares: O Governo não precisa de vangloriar-se nesta matéria, porque por força do desemprego e dos novos hábitos nas famílias portuguesas, as pessoas já começam a reduzir nas suas facturas de luz e gás e consome menos alimentos por pratos mais económicos. Infelizmente, no sector energético ainda não existe concorrência séria com a actual liberalização do sector energético.

 

1.4. Fortalecimento do Sistema Bancário e do Financiamento da Economia

O Governo aqui falha em todas as frentes! O Sistema Bancário foi um dos responsáveis para actual crise económica e financeira do país com concessão de créditos às empresas e famílias sem contrapartidas claras e sem planos de emergência que permite com que as empresas e as famílias possam cumprir as suas obrigações nos créditos concedidos nestas situações de crise finaceira. Sem dinheiro não há financiamento da Economia! Logo esta medida está muito longe de estar concretizada porque os bancos não estão mais interessados em emprestar dinheiro às empresas para estimular a economia mas sim em recuperar, através de empréstimos ao Estado (portanto dinheiro dos contribuintes), o dinheiro que andaram a perder por não conseguirem executar as dívidas das empresas e das famílias que já se encontra sob endividados pelas razões que já conhecemos.

 

1.5. Plano de Emergência Social (PES)

Plano que foi feito para inglês ver. Este plano existe no papel mas na prática não pode ser executado, porque com mais de 3 Milhões de pobres e mais de 4 Milhões de cidadãos em vias da pobreza, o Estado não consegue ter capacidade de resposta a todos os casos. Vejam todas as notícias que têm saído sobre a percentagem de beneficiários que deixaram de ter concessões de Subsídios de Desemprego e de Rendimento Social de Inserção…

O Governo nesta questão não demonstra qualquer tipo de sensibilidade social, o que pretende fazer com a Reforma do Estado, é o fim do sistema de Segurança Social por ganância, admitamos…

 

2. Programa para o Crescimento, Competitividade e Emprego

2.1. Redução de custos de contexto

«Pelas medidas estruturais previstas para a melhoria da eficiência das políticas públicas, actuando, de forma coerente e sustentada, sobre os seguintes factores de competitividade»

O Governo têm sido hipócrita e tem sido um ‘corta-fitas’ nos custos para pagar os interesses dos patrões que não é criar postos de trabalho. Vejam quantas vezes já foi alterado o número de dias de indeminização por despedimento e os cortes dos subsídios que têm sido várias vezes dado como inconstitucional, pelo Tribunal Constitucional. E pelos vistos, este mesmo PSD se esqueceu de que Sá Carneiro disse: que os Subsídios de Férias e de Natal são impenhoráveis. Será que Sá Carneiro estava louco quando disse isto?...

 

2.2. Redução dos custos de produção das empresas

Medida demagógica dos autores deste programa eleitoral! Nenhuma empresa está a reduzir custos nenhuns! Estão a encerrar as empresas por causa de impostos excessivos que impossibilita a sustentabilidade e permanência das empresas.

 

2.3. Aprofundamento das políticas estruturais horizontais para a competitividade

O IEFP, entidade pública que deveria de analisar, estudar e encaminhar os cidadãos para o mercado de trabalho em Portugal têm sido uma entidade anexa à Segurança Social que não têm outra função a não ser tratar de pedidos de prestações sociais, tais como Desemprego e Rendimento Social de Inserção (RSI). Nesta área o Governo deveria de ser mais exigente e obrigar o IEFP a tratar das questões do trabalho fazendo um levantamento das necessidades e solicitar uma recomendação aos Ministérios da tutela da Economia e da Segurança Social para o financiamento de mais formação profissional em áreas em que o país está em falta para colmatar os níveis de desemprego elevados que vemos.

O Mercado de Arrendamento tem sido um ‘flop’ com medidas alarmantes, ‘atalhaboadas’ e desenquadradas da actual realidade. Se a maioria das famílias não têm dinheiro para serem proprietários de habitações, o mercado de arrendamento seria uma solução mas acaba por falhar! Porque as notícias dizem, que a maioria das famílias estão a abandonar as suas casas, entregando as chaves aos bancos e a voltarem a viverem para casa dos seus pais e/ou avós em alguns casos. Significa que as famílias retrocederam cerca de duas décadas, em que tínhamos agregados familiares elevados e concentrados no mesmo espaço físico.

O Governo se esquece que existem 1 501 mil pessoas sem trabalho e que muitas delas vivem em trabalhos temporários e de total subemprego com estágios remunerados de 500 Euros por mês como forma das grandes empresas, e do próprio Estado, poderem não assumir responsabilidades com a Segurança Social e as Finanças pelo esforço e empenho dos cidadãos. Nesta matéria, em vez de atacar, está a dar duas soluções: manter os estágios como medida paliativa ou a emigração, que considero uma decisão mal feita. Será que o próprio Passos Coelho foi o promotor da emigração, que hoje, passados 2 anos, desmente...

Relativamente a impostos, este governo não têm qualquer mobilidade de mexer nos impostos tendo em conta que somos o país com maior quantidade de impostos e que o Memorandum da Troika impede com que se aumente mais impostos aplicando a receita 1/3 do orçamento provêm da receita fiscal e 2/3 da despesa do Estado.

 

2.4. Estimular a competitividade empresarial

As empresas não precisam de ser competitivas mas sim mais produtivas, o problema que o país enfrenta é que as empresas produzem pouco por muita tecnologia de ponta que use. Há jornalistas patéticos, como o Camilo Lourenço (que gostaria de saber se o próprio não é um dos responsáveis por muitas fugas de informação vindas do Governo), que dizem que o país precisa de ser competitivo quando a maioria das empresas não podem competir com preços elevados dos bens e serviços que as empresas necessitam para poderem ser competitivos. Onde está a regulação em sectores chave como o sector energético, financeiro e das comunicações electrónicas?... Não será tempo de disciplinar estes sectores para que as empresas possam competir externamente?... É tempo de começar a aprender com alguém de fora para perceber onde Portugal pode ser competitivo com outros países (por exemplo no sector das energias renováveis, tendo em conta a excelente localização geográfica para a produção e exportação de energia limpa para a Europa).

Recordo que foi o PSD que disse a pés juntos ao eleitorado que não construiria uma linha de alta velocidade ferroviária europeia e agora desmente. Não é a questão de a Comissão Europeia financiar a 80% ou a 85% da obra, é que a obra não pode ser executada porque o país não têm condições financeiras e de uma falta de orientação estratégica com Espanha e com a Comissão Europeia. A ideia peregrina da ligação Lisboa-Madrid para mercadorias não é uma boa escolha, Aveiro-Salamanca-Irun é considerada pelos especialistas do sector ferroviário como o eixo ferroviário ideal para as exportações de Portugal para toda a Europa.

 

2.5. Revitalização da Estrutura Produtiva

O Governo neste ponto falha redondamente porque no passado, foi o mesmo PSD de Cavaco Silva que destruiu a maioria do tecido produtivo do país com o abate das frotas pesqueiras, atribuiu subsídios para a destruição agrícola com a famosa Política Agrícola Comum que beneficiou países como a França, Espanha e o Reino Unido neste dois sectores que Portugal tinha excedentes.

Têm sido política dos últimos 3 Governos, a retirada de estímulos às Micro, Pequenas e Médias Empresas que fazem com que as mesmas acabem por falirem por insolvência. Eu pergunto, porquê que só agora se preocuparam com as Micro, Pequenas e Médias empresas quando Manuela Ferreira Leite em 2009, durante o debate com José Sócrates, alertou que a sustentabilidade do país vive das Micro, Pequenas e Médias Empresas e que se eliminar as PMEs, o tecido produtivo do país iria baixar?...

 

 

UM ESTADO EFICIENTE E SUSTENTÁVEL, CENTRADO NO CIDADÃO

Esta questão é uma falsa questão. O Governo pode ser o mais pequeno mas o mais insustentável, nada eficiente na resposta das necessidades dos cidadãos. Como é possível que se transforme vários ministérios em super-ministérios, com matérias que implica muita dedicação numas matérias do que noutras? Bem pode poupar uns milhões de Euros mas a centralidade nunca esteve no cidadão, sempre esteve numa meia dúzia de pessoas com ligações muito obscuras e nada transparentes. Será que não estamos a nascer num novo caso BPN nas mais diversas áreas?... Fica a dúvida…

Em matéria da Televisão Digital Terrestre e Comunicação Social, o Governo fez as maiores trapalhadas que já documentei em sete partes e que não vai parar. A famosa privatização da RTP, que têm sido o ‘cavalo de batalha’ de Miguel Relvas caiu por terra porque é impossível privatizar uma empresa pública que têm sido gerido como se fosse um privado com a instrução autorizada pelos Governos. Pois é, o Senhor Ministro Miguel Relvas, tal como o seu amigo das patifarias Pedro Passos Coelho, não mostra o descontentamento por nunca terem sido convidados pela Empresa de Serviço Público de Televisão para serem ‘opinion maker’ como muitos nomes do PSD têm sido beneficiados (parece que se esquece que o Sr. Secretário de Estado da Segurança Social, outro trafulha, Marco António Costa têm sido presença permanente na RTP). Onde está a atribuição das frequências aos actuais operadores de televisão que estão consagrados pela Lei da Televisão e da Constituição?... Com a plataforma digital de televisão pode permitir mais canais de forma incondicionada e que serviria um alívio na despesa das famílias incentivando ao abandono da televisão por subscrição (com preços pornográficos)! Será que ninguém do Governo não pensou que por cada 30 Euros que poupam em televisão por mês podia ajudar a reduzir as dívidas da maioria das famílias ou até mesmo para a compra de bens de primeira necessidade?...

 

DESENVOLVIMENTO HUMANO E SOCIAL

Este ponto que os autores deste programa eleitoral andou a repetir, não corresponde com a realidade. Volto a perguntar: Onde está o Plano de Emergência Social? Onde estão os incentivos à natalidade? Onde estão as medidas para a juventude? Onde estão as medidas para a qualificação de jovens e adultos?... Não existem! São tudo ideias que não foram capazes de colocar em prática! Se calhar a redundância dos assuntos, faz com que se faz uma coisa agora e no fim não pode ser executada por impedimentos de várias questões que são transversais e mudar os nomes a programas já executadas, é demonstrar que as ideias do PS afinal não são todas más!

Em matéria do Serviço Nacional de Saúde, o Governo pouco ou nada podia fazer porque o SNS sempre foi um serviço de excelência e de reconhecimento internacional que só podia ser feito melhorias em alguns serviços de saúde (casos dos Centros de Saúde em edifícios provisórios há 30 e 40 anos) e maior abertura no número de utentes do SNS. O que errou no SNS foi os aumentos disparatados nas taxas moderadoras que não justificam as razões para tal aumento se nem são capazes de colocar novos médicos no SNS para continuar a ser sustentável.

Em matéria de Cultura, este Governo foi o maior esquartejador com o fim de apoios financeiros para o cinema, para o teatro e para a música. Eu pergunto, se Pedro Passos Coelho tivesse sido tenor, como poderia sobreviver?... O que se deveria de incentivar os cidadãos a irem ao teatro, ao cinema e a assistir concertos de música clássica (apesar que não existe crise nenhuma nos concertos de verão que enoja a Sociedade Portuguesa) tornando-os mais acessíveis e prestigiar mais os artistas que se revelem no exterior de Portugal. A cultura não é só Fado! É um manancial de actividades culturais que nos têm revelado que somos um povo com esperança artística.

A língua portuguesa têm sido, nos últimos tempos, a língua mais ‘assassinada’ com a introdução de um Acordo que viola todas as regras da história e do desenvolvimento da língua de Camões. Andamos a contribuir para o Instituto Camões e não conseguimos ensinar a Nossa língua como deve ser pelo mundo fora! Precisamos de investir mais, e sobretudo acarinhar e tratar melhor a nossa língua! Pelo que o Governo deve imediatamente rasgar o Acordo Ortográfico de 1990 que é uma tentativa de assassínio do Português em prol de interesses economicistas de países que só querem usar o Bom nome de Portugal nas relações bilaterais e multilaterais na maioria dos países do globo. Portugal não é aquele país à beira mar plantado, é muito mais que um país! É uma história que não pode ser esquecida, por muito que a Crise nos ‘atulhe’ todos os dias.

 

POLÍTICA EXTERNA AO SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO

Matéria que não há nada para fazer, a não ser renegociar condições aos países para investir mais em Portugal, porque de resto a maior preocupação do país deve estar dentro de Portugal e não fora de Portugal.

 

Chegamos ao fim da análise de um documento, que considero, patético, redundante e que em nada corresponde à realidade do país em 248 páginas. Mas faço já um quadro síntese na concretização de medidas que este Governo está a fazer face ao seu programa eleitoral.

 

 
Concretizado
Por concretizar
Não concretizável
Impossível de Concretização
Pilar Cívico e Institucional
1. Sistema Político
 
X
 
 
2. Descentralização Administrativa
 
 
X
 
3. Justiça
 
X
 
 
4. Combate à corrupção e à informalidade
 
 
 
X
5. Regulação
 
 
 
X
6. Segurança Nacional
 
 
X
 
Pilar Económico-Financeiro
1. Programa de Ajustamento Macroeconómico
1.1. Consolidação Orçamental de Qualidade
 
 
 
X
1.2. Sustentabilidade das Finanças Públicas
 
X
 
 
1.3. Promoção da Poupança e Redução do Endividamento
 
 
X
 
1.4. Fortalecimento do Sistema Bancário e do Financiamento à Economia
 
 
 
X
1.5. Programa de Emergência Social (PES)
 
 
 
X
2. Programa para o Crescimento, Competitividade e Emprego
2.1. Redução dos Custos de Contexto
 
 
 
X
2.2. Redução dos custos de produção para as empresas
 
 
 
X
2.3. Aprofundamento das políticas estruturais horizontais para a competitividade
 
 
 
X
2.4. Estimular a Competitividade Empresarial
 
 
X
 
2.5. Revitalização da Estrutura Produtiva
 
 
X
 
Um Estado eficiente, sustentável e centrado no Cidadão
 
X
 
 
Desenvolvimento humano e do modelo social
 
 
X
 
Política externa ao serviço do desenvolvimento
 
 
 
X

 

Em resumo, o Governo não concretizou nada em dois anos! Tem algumas dúvidas?...

Então não há mais do que razões para o Governo ou concretizar os compromissos assumidos em acto eleitoral ou bem pode abandonar por incapacidade.

Agora, há forma de mudar o actual Estado do País?... É claro que sim! E é muito simples! Estes actores políticos devem abandonar e constituir-se um Governo de Salvação Nacional liderado por cidadãos dos mais diversos quadrantes sociais, económicos e políticos com total isenção e com a preocupação de responder às necessidades dos cidadãos e fazer cumprir o Memorandum da Troika, até Maio de 2014.

 

Post Script I – Para quem quiser aceder ao Programa Eleitoral de 2011 do PSD, podem consultar em http://www.psd.pt/archive/doc/PROGRAMA_ELEITORAL_PSD_2011_0.pdf
Post Script II – Este mesmo artigo também foi publicado no Blog 'Os Envergonhados' (blog de militantes do PSD, da qual eu milito, que aborda as questões da actual gestão desastrosa de Pedro Passos Coelho) que lá se encontra alguns dos meus artigos políticos que pode ser consultados em http://osenvergonhados.blogspot.com/.